Depois de tanto rodar pelo Brasil, e ouvir os relatos de meu companheiro que viu muitas vezes o mundo, cheguei à conclusão, de comum acordo com ele, que não há melhor lugar para se viver neste planeta do que o estado do RN. Aqui encontramos, além da paisagem paradisíaca, um povo alegre e hospitaleiro sem par. Pessoas que, na sua imensa maioria, amam o trabalho e o estudo, prezam por sua independência cultural, financeira, assim como por sua dignidade. Portanto, é um momento marcantemente amargo, para mim, abrir o meu blog com um fato tão indigno de nosso povo brasileiro mas, especialmente, dos potiguares, porém, não estou mais conseguindo ficar em casa esperando, em vão, diga-se de passagem, que a situação de centenas de estudantes do ensino médio das ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS do RN, seja solucionada. Entre eles, meu filho mais velho, Thomas, e seus colegas de classe.
Para ser bem sincera, Tomito, o nosso Thomas, nunca foi muito chegado aos estudos. Desde pequenino preferia um bom jogo de bola aos cadernos e livros do colégio. Sempre foi dureza fazê-lo interessar-se por suas tarefas escolares e cumprir o aprendizado curricular do ano. Sempre que podemos tentamos incentivá-lo a ler um livro, no início foi um pouco difícil encontrar os temas e estilos que mais o agradavam, quase sempre largava o livro no meio, se chegasse a tanto mas, atualmente, depois de muitos esforços nossos e dele próprio, obviamente, a realidade é outra. Não que tenha mudado da água para o vinho. Ainda não gosta muito de estudar, é verdade, porém, consegue dedicar-se aos seus estudos sem a necessidade anterior de nossa presença constante ao seu lado e, hoje, lê livros enormes com rapidez, facilidade e, o melhor, com gosto.
Isso representou para nós, seus pais, uma grande vitória. Voltamos a ver perspectivas felizes para nosso filho. Afinal, o ano de 2009 não foi muito feliz: Thomas foi reprovado no primeiro ano do ensino médio de uma excelente escola particular... não faltou livros, material, uniforme, lanche, nada... material...
Não preciso nem dizer que, como mulher e mãe, já me culpei de todas as formas: onde errei? o que faltou? o que foi demais? Sem contar que ficamos muito apreensivos, temerosos mesmo pelo seu futuro.
Depois de muita análise do caso, vimos que houve uma certa negligência de nossa parte, se é que posso chamar assim, pois eu estava sozinha aqui em Natal, enquanto meu companheiro viajava o mundo e residia, temporariamente, no RJ. Para completar, grávida de Arthur, nosso quarto filho. Nessa época, Augusto, o terceiro, estava com 2 anos, Eduardo, o segundo, com 8 e Tomito com 16. A gravidez era um tanto complicada e Arthur nasceu no meio do ano em um parto feito às pressas, em caráter de urgência e, pouco depois, foi suspeitada craniossinostose, ou cranioestenose, em Arthurzinho e começou uma corrida atrás de exames, que confirmaram o diagnóstico e a necessidade de uma neurocirurgia muito delicada, porém extremamente necessária, que nosso pequenino realizou neste ano e, graças a Deus e à excelente equipe médica do Hospital Naval Marcílio Dias, no RJ, foi um sucesso e ele está ótimo.
Diante do exposto, admito que nem Jaecy, meu companheiro, nem eu, acompanhamos como se devia os progressos de Thomas em 2009. Nos contentamos com as notícias que o próprio nos transmitia, sempre informando-nos que tudo estava "indo", tudo estava "bem".
Continuando a analisar BEM o caso, vimos que não houve também, da parte de Thomas, comprometimento com seus estudos. Aliás, pelas notas, houve NENHUM comprometimento. Bom, deu no que deu! =o(
Só que, nesta casa, sempre houve uma regra, bem clara: não se paga escola particular para quem não estuda.
E assim foi que se deu que, com muito pesar (e não deveria ser assim, né?!), me vi pesquisando as escolas públicas com melhor performance em Natal para matricular meu filho. Encontramos uma com boas referências, até nos impressionou, tinha índice de aprovação no vestibular da UFRN maior que das escolas particulares. Uma luz se fez no fim do túnel. Ficamos realmente felizes em termos notícias tão boas de uma escola pública. Matriculamos Tomito e,como dizia minha avó: ledo engano...
Heis que, desde o início do ano, simplesmente não há professor de matemática para as classes noturnas da escola. Horário que Thomas estuda. Ao procurarmos informações a respeito, já no início do ano pois não daremos a mesma bobeira do ano passado - estamos de olhos e ouvidos bem abertos nos caminhos trilhados pelo nosso rapaz - fomos informados que os alunos não ficariam no prejuízo, que haveria aulas nas quais o conteúdo seria devidamente transmitido, conforme exigências do currículo definido pelo MEC. Terminou o primeiro semestre, e nada! Nos informaram que seria executado o programa de matemática no segundo semestre... Bem, chegou o segundo semestre e lá fomos nós verificar e... NADA! E sabe que isso não é o pior? Soubemos que A ESCOLA DISPUNHA SOMENTE DE PROFESSORES PARA AS MATÉRIAS DE LINGUA PORTUGUESA E GEOGRAFIA E QUE ESTAVA ATÉ BEM, POIS HÁ ESCOLAS SEM PROFESSORES DESDE O INICIO DO ANO. Mas não precisávamos ficar "preocupados" pois os alunos NÃO SERÃO REPROVADOS, na falta das aulas até o final do ano, a secretaria orientou a escola que SERÃO TODOS APROVADOS EMBORA O CONTEÚDO NÃO TENHA SIDO OFERTADO !!!!. Não acreditamos. Fomos pesquisar outras escolas estaduais públicas e... ESTAVAM NA MESMA OU PIORES... Meu Deus!!!
Puxa! O que posso dizer ao GOVERNADOR DO ESTADO DO RN, Sr. Iberê Paiva Ferreira de Souza e ao nosso SECRETARIO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO E CULTURA, Sr.Otávio Augusto de Araújo Tavares diante desta explicação??? Eu sinto muito, senhores, mas ainda não encontrei nestas ultimas noticias nada que me fizesse tranquilizar a mente e o coração.
O cenário que nos encontramos agora me deixa cheia de indignação e revolta. Não apenas pelo meu filho, ao qual, graças aos esforços contínuos de meu esposo e os meus, terá condições de correr atrás do prejuízo, mas por todos os jovens que dependem destas instituições de ensino para conseguirem uma boa colocação profissional, que necessitam delas para serem cidadãos que contribuem para o progresso de sua região através de seu próprio progresso e que, sem elas, não alcançarão aquele nível de entendimento das coisas e do mundo que só os diversos conhecimentos interlaçados proporcionam. Como transpor horizontes? Como quebrar barreiras? Já não teria a própria vida e os acasos do destino tornado a labuta destas pessoas suficientemente árdua? É realmente necessário que fiquemos assistindo um desgoverno do estado pisar nos sonhos e solapar capacidades de nossos jovens? É justo deixar que estas quase crianças, tendo já que lutar com suas próprias dificuldades internas e externas, permaneçam abandonadas desta forma?
A única coisa positiva, INFELIZMENTE, é que Thomas está tão impressionado com os descasos com a escola pública na qual ele estuda que, finalmente, caiu a ficha de quanto tempo perdeu ao não aproveitar todo o aparato e profissionais que estavam ao seu alcance em 2009 e não mede esforços para superar suas dificuldades com os estudos para "passar de ano" e poder retornar à antiga escola. É o nosso compromisso com ele.
Porém, independente de Thomas retornar a escola particular de antes, ou não, a nossa luta continua, por todos os que não têm como lutar ou não sabem por onde começar, e que desejam um país com administradores, legisladores e juízes mais dignos de seu povo. Mais dignos de NÓS!
Estamos em busca dos meios legais, mesmo que morosos, para que os responsáveis por essa barbaridade sejam punidos.
Se vc é um dos prejudicados, junte-se a nós! Juntos somos mais fortes!
Nossa comunidade no ORKUT: CADÊ OS PROFESSORES IBERÊ ??? (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=106192722)
Desculpem-me pelo desabafo, espero trazer noticias melhores e mais felizes das próximas vezes mas, sabem como é... coisas de mãe!
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